segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Um "tchau" do Marco

video

Espero que gostem. Essa é a minha despedida do blog, acredito nāo há necessidade de muitas palavras. Esse video é dedicado a vocês, como foram todos os outros. Um grande abraço a todos e obrigado pela força.

Marco Pinho


(Cliquem nas quatro setinhas no canto inferior direito para tela cheia)

domingo, 8 de agosto de 2010

Chegamos a Recife

Amigos,

Chegamos ontem, dia 7 de Agosto, logo ao amanhecer, a Recife, conforme havíamos planejado. Foi o presente de aniversário do Balbi, chegada no dia dele!!!

Graças a Deus, a fantástica tripulação do FatBoy e a vocês com vosso apoio e carinho, tudo correu muito bem! Claro e ao FatBoy em si, pois o barco é valente!

Desculpem não termos colocado antes a notícia da chegada, eu pensava que a Karen havia colocado.

Estavam no cais, ao amanhecer, a nossa espera, minha mulher e filhote pequeno, o Gabriel, a mulher do Balbi e uma amiga comum com o filho e um sobrinho, a Monica.

Ontem estava chovendo muito e foi problemática a chegada, pois aconteceu com a maré vazia e muito baixa e já foi uma sorte conseguirmos chegar até ao Clube, mas encalhamos logo ao entrar e ficamos umas horas dentro do barco esperando a maré encher, sorte que já havíamos conseguido embarcar as familias (e todos vcs claro, aliás, foi por isso que o barco encalhou, de tanta gente que se juntou a bordo do FatBoy) de modo que fizemos o prometido pequeno almoço na maior festa , sendo o encalhe esquecido (o fundo é lama, sem maiores danos)
Depois do café e maré encher um pouco, mudamos o barco para uma posição nova e começou a chover. Desembarcamos e fomos para o hotel tomar um banho e depois ao aeroporto (??) fazer a imigração, sendo que isto demorou horas e ja saímos dali para encontrar as famílias num restaurante para jantar. Depois, foi dormir um sono merecido no hotel (depois eu conto o porque não fiquei no barco) e hoje as famílias cobraram um dia de lazer com elas, então, não se falou em FatBoy.

Portanto, so agora consegui entrar na internet e vi que ninguem postou a chegada.

Desculpem, aqui está a notícia e depois vamos colocar fotos dos 4 na chegada e na despedida do Pristinha que embarcou há pouco para Portugal, já famoso!!!

A novidade é que a Patrícia e Gabriel serão tripulantes na proxima perna. Assim, fica bom, pois não ficamos mais longe uns dos outros. E o Luis Rato deve ter a companhia da esposa, a Lena, que entretanto deverá se juntar a tripulacao so em Fernando de Noronha, pois não pode tirar mais tempo de férias. Enfim, mulheres a bordo. Portanto, tripulação completa, comigo e meu pai! Rumo ao Caribe, previsão de saída de Recife em 25 de Setembro.

Saudações a todos.

Nuno Pinho,do hotel.... em Recife.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Diário de Bordo – Dia 26

Cat FatBoy - Sexta-feira, 06 de Agosto de 2010

Olá, pessoal! É chegado o momento pelo qual sonhamos tantos dias. Estamos nos aproximando de nossa meta e do reencontro, imediato para alguns de nós, com aqueles que amamos.

Ontem foi um dia tranqüilo, com um pouco de atividades de arrumação e faxina, mas o mais importante foi que finalmente conseguimos dar o nosso sonhado mergulho no mar. As ondas estavam altas e o sobe e desce do barco representava perigo, então o mergulho foi muito rápido, mas extremamente gratificante. Recolhemos a genoa, retiramos do mar as 62 linhas de pesca e ligamos um motor para evitar que o barco se atravessasse nas ondas (também para atender a alguma eventualidade, nunca se sabe). Depois soltamos os cabos de aço que fecham a popa a bombordo, baixamos a escada e lançamos um cabo de segurança. Com essas providências cautelosas, fomos felizes àbrincadeira. Até o Prista, que hesitava muito, decerto receoso de alguma baleia oculta, jogou-se ao mar em trajes que prefiro não comentar. A temperatura da água e a cor azul profundo que se descortinava a cada mergulho foram algo
maravilhoso e certamente ficarão fortemente marcados na memória de cada um.
Almoçamos na sala interna um refogado de frango com chouriço e arroz com funghi. De sobremesa, goiabas em calda. Magnífica refeição, como sempre.


Partimos para a noite cercados de squalls, que tumultuaram um bocado o serviço de todos. Eu próprio só deveria assumir às 06:00h, mas por volta de 02:30h acordei com a genoa batendo e encontrei o Marco duelando com o vento. Chamamos o comandante e ambos trataram logo de cambar a genoa. Depois disso o comandante liberou o Marco e assumiu o posto, pois seu horário ia começar às 03:00h. Eu era o seguinte, mas não consegui mais dormir, acho que em boa parte por causa da ansiedade da chegada. Fiquei conversando um bom tempo com o comandante, depois acabei me recolhendo a minha cabine, apesar de não conseguir dormir.
Por volta de 04:50h subi para render o comandante, que estava plugado na Internet, colocando a correspondência em dia. Havia um navio cruzando a nossa popa a 20 milhas, vindo de bombordo. Estava longe, portanto não fizemos contato com ele. Também, como já se tornou comum, haviam alguns squalls disparando o alarme do radar.


Assumi o serviço e cerca de uma hora depois, pela primeira vez na travessia, caiu sobre nós uma chuva relativamente forte, suficiente para tirar um pouco do sal de cima do barco. Incrível como nos últimos dias temos sido constantemente cercados por squalls, mas chuva mesmo, até então não tínhamos enfrentado. Veio em boa hora e vai facilitar a faxina que temos que fazer antes de chegarmos à terra.


Ao amanhecer o vento diminuiu, a velocidade baixou para 3-4 nós e a genoa começou a bater um pouco. Foi a chamada para Mestre Prista subir perguntando o que estava acontecendo. Resolvemos cambar a vela e depois de o fazermos voltamos para a cabine com os fundilhos das calças molhados. Observamos um pouco o resultado da cambada, quase nada, então resolvemos recolher a vela e ligar o motor. Não queremos chegar a Recife antes do amanhecer de amanhã, mas do jeito que a coisa ia, talvez só chegássemos à tarde. Também sempre é bom dar uma girada nos motores para recarregar as baterias, que perdem à noite cerca de 15 ampéres por hora.


Depois disso ficamos de papo, até que um alegre bando de golfinhos veio nos dar as boas vindas às águas brasileiras. Muito lindo ver a enorme quantidade de golfinhos brincando com a quilha do barco, a cortar perigosamente nossa proa. A gritaria que fizemos apontando os golfinhos acordou o comandante, que logo apareceu de máquina de filmar em punho.


Em seguida tomamos café, conversamos um pouco e fomos colocar o parasilor, para ver se ganhávamos velocidade e talvez até pudéssemos desligar os motores, ficando só no vento para deslocar e nos painéis solares para recarregar as baterias. Não deu muito certo, parece que vamos ter um dia de pouco vento e muito sol. Melhor, faz bem ao espírito e facilta a faxina.
Enquanto escrevia esse diário de bordo, Prista gritou "Paaaixe" e eu corri a rebocar um peixe inédito: a última garrafa de Coca-cola que os sacanas colocaram na ponta da linha para me sacanear...Ninguém merece!


Bem, nossa travessia está acabando, acho que é hora de fazer um retrospecto, até porque certos fatos importantes aconteceram antes da travessia, em si. Foram muitos dias de mar, uns piores, outros melhores, como tudo na vida, mas minha viagem começou bem antes, quando me despedi de minha mulher no aeroporto de Cape Town e vim morar no barco, dia 04 de junho.
Até lá tudo tinha sido alegria e eu estava encantado com Cape Town, de forma que meu estado de espírito era elevado. Também nunca havia passado uma noite num barco de lazer, só em navios, então a curiosidade também me embalava. O Nuno ainda não viera para o barco, portanto literalmente fui o primeiro a embarcar, há mais de dois meses. Àquela altura eu ainda não acreditava que haveria uma travessia no inverno, apesar de os problemas legais relativos àpermanência do barco já estarem começando a aparecer. Pensava que as coisas ainda poderiam retornar ao plano inicial de montarmos o barco para que a travessia fosse feita no fim do ano, quando inclusive eu já sabia que não poderia participar. Então eu absolutamente não estava nem física, nem psicológica muito menos logisticamente preparado.


Tinha trazido pouca roupa, leve, e apenas algumas ferramentas para ajudar meu velho amigo, pois entendia que sua tarefa seria difícil. É claro que não podia ser fácil receber um barco novo, grande e pouco aparelhado, junto com um contêiner cheio de equipamentos e acessórios, e também com todos os apetrechos típicos de quem monta uma casa saindo do zero. Do radar ao saleiro de mesa, tudo havia sido previamente pensado e adquirido, num trabalho de preparação descomunal que poucos seriam capazes de imitar, acondicionados em 42 caixas, algumas enormes (motor de popa, dinghy, 70 metros de corrente, etc.). Aquilo tudo precisou sair daquele contêiner e entrar no barco em questão de poucas horas.


Agora, cercados de caixas, muito havia a ser instalado e distribuído a bordo, com critério e inteligência. Eram coisas úteis, precisávamos saber onde estava cada coisa, debaixo de cada cama, de cada sofá. Além disso, ainda havia um bocado de coisas que precisariam ser compradas, assim como serviços a serem contratados, num país que, apesar de amistoso, não era o nosso. Eu antevira isso no Brasil e sabia que contar com alguém que tivesse pelo menos boa vontade durante a montagem haveria de ser útil ao Nuno.


Como não sou de vela, tenho apenas um pequeno barco a motor, e mesmo nisso reconheço que sou bem amador, tentei o tempo todo compensar a ignorância com a disposição para aprender e nisso a viagem (preparação + travessia) foi incrível. Curioso que sou, aprendi muito de um mundo do qual pouco sabia. Nesse aspecto, conhecimento técnico, posso dizer que houve um Balbi de antes e outro de depois da viagem, sem dúvida. Sei que nenhum deles nos lê, mas quero aqui registrar minha gratidão aos tantos fornecedores e prestadores de serviços que pacientemente, driblando meu péssimo Inglês, foram me explicando o funcionamento de tudo o que havia no barco, assim como de tudo que iam instalando naquele trabalho ininterrupto que durou mais de um mês.


Nos primeiros dias ainda mantive à mão meu bilhete de volta para o Brasil, marcado para 10Jun, mas logo uma realidade adversa ia se confimando e a data de regresso ao lar foi lentamente se afastando. Não tínhamos uma data sequer para retornar e essa incerteza me corroía, a cada telefonema para minha mulher o receio de ela perguntar e eu ter que responder um "não sei" me deprimia. Minha única saída era abafar esse sentimento com uma enorme lista de tarefas, considerando-as todas urgentes. Cada tarefa concluída era uma vitória, um passo certo em direção à volta, essa era minha única certeza.


Também encontrava ânimo ao olhar para o lado e ver o Nuno com muito maiores problemas, repleto de dúvidas: ele precisava de mim e eu não haveria de lhe faltar nessa hora.
Vieram a Patrícia, mulher do Nuno, e seu filhinho Gabriel, passar uns dias no barco conosco. Que saudades sinto daqueles momentos-família que desfrutamos juntos nos jantares e nos cafés da manhã. À Patrícia agradeço pela amizade, pelo carinho e pela atenção que me dispensou naqueles frios dias de Junho aqui no barco. Aquilo me marcou fundo, Pati, e antes de ser o "urubu" de bordo, sou como um elefante, que nunca esquece a mão que o afagou. Levantei-me de madrugada e fiz questão de ir com o Nuno levar você e o Gabriel ao aeroporto não por obrigação ou solidariedade, mas porque via ali partir o último laço de família que haveria de ter com o Brasil por não sabia quantos dias, mas certamente muitos. Com o coração apertado, lembrando da partida de vocês e ansiando por tornar a vê-los amanhã cedo na marina, em Recife, quero deixer registrado minha gratidão. Valeu, Pati! Valeu, Gabriel!


Pouco depois nos apareceu o Manuel, num fim de tarde, lembro perfeitamente. O Nuno, todo sem-jeito, não se lembrava dele, estávamos muito atrapalhados, mas ele fazia questão de nos ajudar e logo saiu para comprar uma mangueira que precisávamos. Não sabíamos quem era o gajo, olhamos um para o outro desconfiados de tanta generosidade, mas àquela altura qualquer ajuda seria bem-vinda. Não poderíamos antever a importância, a dimensão com que o Manuel, e sua família, em especial a Paula, tão gentil, haveriam de se revestir nas semanas seguintes. Por algumas semanas foram nossa família em Cape Town, incansáveis no bem-receber e no tentar atender às nossas necessidades logísticas, por mais estranhas que lhes pudessem parecer. Não há como agradecer o que fizeram por nós, só posso rogar a Deus que os ilumine e abençoe, para todo o sempre.


Alguns dias depois chegou o Marco à nave que àquela altura ainda nem navegava. Havia muitos anos que não o via e até me assustei com o tamanho do outrora garotinho. Vinha para ajudar na montagem, seria o encarregado das comunicações, mas o que trouxe de Washington, em primeira mão, foi uma gripe, que logo peguei. Por sorte era um vírus gringo e num instante o derrotei. Como desconfiávamos, logo o jovem Marco haveria de se render aos encantos da cidade e era óbvio que não seria justo confinar sua juventude ao barco, isso era tarefa para os dois velhotes. Estimulado pelo pai e com o desembaraço que lhe é natural, logo se enturmou com os jovens da família do Manuel e seus amigos, a ponto de nem sabermos na casa de quem dormia a cada noite. A partir do momento em que inciamos a travessia demonstrou seu conhecimento e alta afinidade com teclas e displays, para alegria de seu pai, viciado em gadgets. Sempre disponível, sempre prestativo, muito educado e com muita vontade de aprender, foi o sangue-novo a circular nesse barco cheio de idosos e suas manias. Marco, conhecê-lo melhor, dividir essas semanas com você, foi gratificante e não tenha dúvida de que aprendi muito com seu jeito de ver a vida e frente a ela se postar. Um garoto de ouro com um brilhante futuro pela frente. Valeu, Marcão!


Foi mais ou menos na mesma época que começamos a conviver com o Prista e com sua família. Inicialmente, vieram a Joana e seu namorado, a quem todos tratam pelo sobrenome, de dar inveja a qualquer um: Boa Vida. O Nuno já a conhecera antes de mim e comentara de sua educação e disposição para ajudar onde fosse possível. Sempre prestativa, educada, inteligente, viva, cheia de inciativa. Logo fez amizade com o Marco e o rebocava para cima e para baixo cidade afora. Nunca vou esquecer daquele dia frio em que limpamos o barco por dentro, enquanto o Boa Vida, de pés descalços, lavava a parte externa de mangueira junto com o "sogrão". Também não vou esquecer da fria manhã de 12 de julho, quando preparava a retirada das amarras para partirmos, o sol mal nascia, e de repente ela chegou no seu carrinho com um cesta cheia de pães, dizendo: "trouxe-vos o pequeno almoço!". Que jóia de menina Mestre Prista educou! Joana e Boa Vida, agradeço aos dois também toda a atenção que nos dedicaram. Muita paz, saúde e sucesso é que lhes desejo, do fundo do coração.


Mestre Prista me foi apresentado rapidamente pelo Nuno, na primeira vez em que nos visitou na marina. Como sempre, eu estava todo atrapalhado e ele ainda demoraria algumas semanas até ele se mudar para bordo, então foi um cumprimento assim meio formal. De forma alguma eu podia antever a amizade que haveria de brotar de nossa convivência nesses longos dias de mar. Sua firme disposição de ajudar no que quer que fosse, seus dotes culinários, sua infinita paciência com minha imensa ignorância em ciências velísticas, sua constante preocupação com a segurança de todos foram aos poucos conquistando minha admiração. Quando ainda em terra conheci sua encantadora mulher, Marisa, e sua filhinha Bruna, cujo lindo sotaque enchia o barco em suas escassas visitas, logo vi que ali havia algo especial. Mestre Prista me deixa sobretudo um exemplo de vida e de superação de adversidades, sempre com firmeza, mas com serenidade. Também despertou em mim um interesse pela culinária, pela sutileza dos temperos, até então limitado ao sal e ao molho de pimenta. Agradeço muito, Prista, por toda a consideração que por mim demonstrou desde o primeiro momento em que nos conhecemos, sobretudo pela maneira educada e amável com que sempre me tratou, mesmo nos momentos em que eu errava e necessitava ser corrigido. Você conquistou mais um amigo no Brasil, com quem pode contar a qualquer hora, para qualquer coisa, por todos os anos que nos restarem. Quem me conhece sabe bem o que isso significa. Valeu, Prista!


Bem, chegou a vez do comandante, que até de 171 da viagem eu chamei, coitado. O que dizer? Não deve ter sido fácil manter tanta democracia a bordo. Quantos sapos teve que engolir para não azedar o ambiente! Formalmente, bastaria agradecer pela oportunidade de mais essa experiência de vida, envolvendo conhecer Cape Town, participar da preparação e da travessia, mas sobretudo por ter competentemente cuidado de nós, trazendo a todos sãos a salvos a Recife. É mais do que sabido que trata-se não apenas de um empresário de sucesso, mas também de um skipper sofisticado que agora anexa um importante feito ao seu brilhante currículo do mundo da vela. Contudo, isso é muito pouco, não é justo, mas se eu fosse entrar no campo pessoal, ia precisar escrever um livro sobre o que penso dessa figura ímpar, desse coração imenso e cheio de dúvidas dentro de uma couraça de certezas e decisões, e do impacto que teve e tem na minha vida. Conheci-o como meu cliente em 1996. Meu mais difícil cliente de consultoria, claro. Um ano depois fui trabalhar como Controller em sua empresa, e lá fiquei por 10 anos, enquanto crescia minha admiração e se consolidava nossa amizade. Quanta coisa já passamos juntos, não é mesmo, Nuno? Coisas boas, mas também muitas coisas ruins, isso mesmo. Acontecimentos ruins rompem amizades frágeis, mas no nosso caso a luta forjou uma sólida amizade, como o fogo e a água forjam o bom aço. Já lhe disse que você não é apenas meu amigo, é meu irmão mais velho. Meus outros amigos têm ciúmes, minha mulher não entende essa relação, essa subordinação intelectual espontânea da minha parte, que vem do coração, não vem do cérebro. Nós não temos o mesmo sangue, mas temos um enorme passado comum de desafios e realizações, atrelado a uma enorme afinidade de valores e ideais. Circunstâncias diversas nos afastaram fisicamente e é de se esperar que no futuro tenhamos poucas oportunidades de juntos encararmos outro desafio. Porque é enfrentando um desafio, como foi esse projeto todo, que a real dimensão e o poder de nossa amizade se revelam. Que Deus o abençoe, meu irmão, e mantenha sempre acesa essa luz que a tantos ilumina e consigo arrasta por onde passa.


Finalmente, quero agradecer àquela que possibilitou minha participação nesse empreitada. Minha amiga, minha companheira, minha paixão, minha amada mulher Patrícia. Sabendo da dimensão do problema que estávamos eu e o Nuno por abraçar, não opôs obstáculos e criou espontaneamente uma barreira de comunicação em nossa empresa, assumindo a direção de tudo de nossas vidas, o que me deixou inteiramente livre para me dedicar integralmente ao projeto. Quem a conhece, quem me conhece, sabe que há quase 20 anos somos um só, encarando juntos os desafios, os altos e baixos da vida. Não me lembro da última vez em que, por razões profissionais, passamos uma semana sem nos vermos. Mais que isso, acho que nunca aconteceu. Essa marca de 2 meses ainda me soa impossível e, cá para nós, não foi algo planejado, aconteceu. Se soubéssemos que seria tão longa a separação, não a aceitaríamos, com certeza. De minha parte, serviu para consolidar a relação e para deixar bem claro o que me importa na vida. Morro de ansiedade por reencontrá-la amanhã no porto. Obrigado por me aceitar imperfeito como sou, minha querida. Obrigado por você ser o que é, tão complemento de mim. Amanhã Bonnie & Clyde voltam à cena outra vez!


Claro que, apesar do "finalmente" anterior, eu não poderia encerrar esse último diário de bordo, em meio ao clima festivo que impera a bordo, tomando uma fantástica caipirinha preparada pelo Marco, sem agradecer aos seguidores que nos acompanharam através do blog. Vocês foram demais! Ocuparam nossas mentes e corações, ajudaram-nos a superar as adversidades com humor e presença de espírito. Páginas memoráveis escreveram vocês Obrigado a todos, de coração.


São 16:00h UTC de sexta-feira, 06 de agosto de 2010. Estamos no paralelo 8º39'S e meridiano 033º12'W com COG de 287 graus e SOG de 6,9kt, com vento de 16kt a Sul, usando genoa. Hoje pela manhã completamos 25 dias de viagem, já navegamos 3360 milhas e faltam 105 milhas para Recife.

Recebam um grande abraço, daqui dessa nave que navega, navega e Recife com o coração já enxerga.

Marcus Balbi – FatBoy.

Quase lá!

Bom dia do FatBoy.


Sexta Feira, 11 da manhã UTC ( 8 no Brasil) , estamos a 135 Milhas de Recife.


Esta noite nossos squalls de estimação trouxeram uma chuva maior, o que o barco agradeceu, já cansado do sal de 1 mês.


Minha mulher, meu filho mais novo e a esposa do Balbi, além de uma amiga comum, com o filho e um sobrinho, estarão embarcando hoje do Rio para Recife, para o café da manhã no FatBoy amanhã de manhã, pão by Balbi. Pedimos apenas para trazerem frutas e iogurte! Vai ser a maior emoção, estamos morrendo de saudades!
Vamos comemorar, pois é merecido. E todos os familiares e amigos que nos acompanharam e mantiveram alto nosso moral, através de comentários e incentivos, informação e piadas, estão convidados para este café da manhã no FatBoy, pois fomos todos companheiros de navegação.

Depois de praticamente um mês no mar – saímos em 12 de Julho e estaremos chegando em 7 de Agosto – estamos felizes com o sucesso da nossa aventura, tudo correu bem, ninguém se machucou, o relacionamento entre a tripulação foi muito bom e o barco é valente! Enfim, VENCEMOS!


A minha tripulação, Balbi, Prista e Marco não poderia ser melhor. Amigos, eficientes, bons companheiros. Parabéns e obrigado. Sobre o meu filho Marco, foi importante demais estarmos todo este tempo juntos, num projeto já há tempos pensado. Creio que desembarcamos mais cúmplices agora que nunca.
Obrigado também ao Sander na Radiomar que há 3 meses leva junto com o Pai Pinho, a empresa sem minha presenca. E o Sander também nos deu o suporte necessário, em termos técnicos, além de ser o responsável pelo mapa de acompanhamento. Valeu mesmo, amigo!

Agradeco ao meu irmão, Luis, o apoio em termos de previsões de vento, durante toda a travessia.

A Karen foi a responsável pelo Blog, e pelo visto, foi um sucesso. Obrigado, filhota!
A minha mulher, obrigado Pat, vc sempre apoiou e esteve comigo e isso é importante demais. Eu te amo!

O Prista pega um avião no Domingo, de volta a Maputo, via Portugal. Espero voltar a velejar brevemente com ele no Marítimo, como o fiz em Junho! O Marco volta ao Rio por uma semana e retoma as aulas em Washington DC após isso. O Balbi volta para o Rio e eu fico uns dias em Recife para tratar do barco e volto a Florida, após uma semana no Rio, na empresa.


O FatBoy deverá ficar em Recife por cerca de 45 dias, e deve ir para o mar de novo, em 25 de Setembro, para mais 2300 milhas, de Recife a Trinidad Tobago , via Fernando de Noronha.
Para essa etapa, a tripulação, além de mim, não está completa ainda, mas meu pai, Luis Pinho e o Luis Rato, serão parte dela.


Chegando o FatBoy a Trinidad Tobago, deverá ficar em uma Marina, também por cerca de 45 dias, e em início de Dezembro, meu plano é embarcar com minha família, para uma temporada no Caribe.


Em meados do ano que vem, quando começa a temporada dos furacões, minha intenção é chegar com o barco em casa, na Flórida. Nesta última etapa, entre as Ilhas Virgens e a Flárida, o Marco deve de novo ser meu companheiro de navegação, agora um veterano!


Ja perguntaram o que vai ser do blog, quando chegarmos a Recife. Bom, a intenção era que nossas famílias e amigos nos pudessem acompanhar mais de perto através deste blog, que a Karen muito bem gerenciou e relatar o dia a dia desta travessia e isso foi feito de forma detalhista e brilhante pelo Balbi. Amanhã acaba a travessia, e o Marco colocará nos próximos dias fotos e alguns filminhos que acabamos não conseguindo fazer no mar.


Obrigado pela amizade, nao esquecerei todos os amigos que reencontrei ou fiz em Cape Town e Maputo, no meu primeiro retorno à África, após 35 anos! E mais amigos acabei fazendo no blog, já sou quase um mano Prista. Espero que a partir de agora possamos nos encontrar e cultivar a amizade e bem estar que agora desenvolvemos.


Saudações


Nuno Pinho do FatBoy

Divagações

Estamos a chegar ao final desta travessia. Falta um dia.

Não foi muito nem pouco. Foi o tempo necessário.

Desde os meus 8 anos que faço vela. Comecei no Clube Marítimo, levado pelo meu Pai, de quem herdei esta paixão por velejar.

Na minha adolescência dois livros me marcaram sobre a vela: "Sobreviver no mar cruel" e "Aos vinte anos no cabo Horn". Ambos, embora por razões diferentes, relatavam experiências de navegações em mar alto, cruzando oceanos. E no meu imaginário sempre ficou essa vontade de um dia viver essa experiência.

Por isso, quando o Nuno me perguntou se queria fazer esta viagem, antes de pensar eu já estava a dizer sim. Valeu para sempre esta, Nuno!

Ao longo dos dias que se seguiram é que comecei a pensar sobre a travessia. Como seria o tempo? Se alguem adoecesse? Como se relacionariam 4 pessoas confinadas a um espaço pequeno durante 30 dias? Como viver longe de tudo e todos durante um mês? O que levar? Que perigos? Como seria velejar no escuro total?

Ao longo desta travessia aprendi a navegar em mar alto mas tambem a gerir a saudade, a ansiedade ou o relacionamento com os companheiros de viagem.

Neste tempo soubemos deixar a cada um o seu espaço no grupo (as divisões de tarefas apareceram naturalmente) e soubemos respeitar sempre que alguem procurou estar consigo mesmo.

Ao Nuno, ao Balbi e ao Marco o meu obrigado pela lição de companheirismo.

Por tambem ser pai, e saber o quanto ás vezes é dificil o relacionamento com os filhos, fico contente por ver que a relação entre o Nuno e o Marco cresceu muito ao longo desta travessia. Espero que não percam o que construiram aqui.

Em dois momemtos (um em cada perna), cansado de duas noites sem quase dormir pelo mau tempo tive aquela sensação de "que raio faço eu aqui?".
Mas felizmente consegui gerir bem esses estados de alma.

Velejar por este mar foi um prazer em muitos sentidos. À medida que o tempo foi passando fui ganhando confiança no barco e perceber que os limites estavam longe podendo assim relaxar mais e apreciar o navegar com mais intensidade. Estar num barco de 20 ton a surfar nas ondas é uma sensação única.

Deixei-me muitas vezes ir nas viagens em busca dos Hooks que em mim moram.
Diverti-me!
Muitas outras coisas descubrirei mais tarde.

Mas foi também um reencontrar de amigos de infância, como o Nuno e a Ligia, de saber de outros que espero vir a ver, como a Ana, o Zé Saúde, o João, o Helder.
Foi o fazer de novos amigos, o Balbi e o Marco.
Foi (é) o prazer de saber que muitos nos seguem por carinho e amizade. Tudo pára a bordo quando chega correio. Para além da refeição é outro dos momentos colectivos a bordo.
Por isso obrigado a todos por terem dado esse apoio.

Obrigado também aos meus colegas de trabalho que nestes dois meses de ausência seguraram tudo. (Acho que me vou habituar…).
Obrigado á Joana pela disponibilidade total como é seu feitio, à Mariana pelo telefonema da véspera da partida, à Bruna que com os seus 5 anos me pediu de presente um abraço.
E à Marisa, que mais uma vez fez da minha a sua viagem, alem do obrigado, o sentimento: Gosto de ti!

Beijos e abraços a todos


Carlos Prista

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Diário de Bordo – Dia 24

FatBoy - Quarta-feira, 04 de Agosto de 2010.

Olá, pessoal!

Esse foi mais um dia memorável. Bom sol, bom mar e um dourado fresquinho para o almoço. O que mais se poderia pedir? Comemos o dourado cozido e acompanhado de um belíssimo purê temperado com manteiga e piri-piri. Mais uma obra do mestre Prista, é claro.
Lá pelo fim do dia fomos surpreendidos por um vento forte e por isso tratamos de baixar o parasailor. Como o vento foi ficando cada vez mais forte, a manobra foi difícil, mas o pior de tudo foi que o mar cresceu e o mergulho que eu e o Marco pretendíamos dar nesse marzão lindo não foi possível. Vamos ter que negociar isso com o comandante antes de chegarmos a Recife...


Meu turno era o terceiro, de 03:00h às 06:00h. Tratei logo de tomar banho e ir dormir, sentindo que o mar estava piorando. Agora temos banho todo dia, o comandante está preocupado com a Vigilância Sanitária quando chegarmos a Recife, quer que raspemos toda a craca do corpo antes de chegarmos à marina. Também desde ontem o Marco está proibido de preparar seus coquetëis de enlatados porque geram dejetos indestrutíveis. Se algum deles chegar a Recife seguindo o barco estaremos encrencados.


Por volta de 02:00h acordei com uma seqüência de três saltos na cama. Subi para ver o que estava acontecendo e vi o comandante se alternando entre os pi-pi-pi do alarme de vento e os pi-pi-pi do alarme de invasão da zona de guarda do radar pelos squalls. Ao mesmo tempo tentava ver um filme no computador. Como o velho marujo acha tudo isso muito natural, nem falei com ele, voltei para a cama. Infelizmente não consegui dormir por causa do barulho e da trepidação da proa. Às 02:45h levantei-me e fui rendê-lo. Encontrei-o ainda tentando ver o filme, mas bastante estressado com o vento e o mar. Mandou logo que fosse ao fly, desse uma olhada em volta e comentasse. Realmente foi assustador ver um monte de squalls nos cercando, mas como agora aprendi com o Marco a ser "zen", voltei e disse que o céu estrelado estava lindo, que o plâncton fluorescia lindamente na esteira do barco, que o vento quente estava gostoso, "que noite linda". Claro que não o convenci e além de "urubu" agora ganhei mais um adjetivo: "sarcástico".


O chefe disse que foi o pior turno dele na viagem toda e logo depois fomos rizar a genoa para aliviar a pressão. Nesse momento Mestre Prista subiu e eu perguntei se ele tinha vindo ver as estrelas. Ninguém achou graça, é claro. Os dois dormiram na sala, enquanto eu começava meu turno que, por sorte, foi estranhamente tranqüilo. Com a genoa rizada a velocidade e as pancadas caíram, o alarme de vento só soou uma vez e eu pude terminar de ver o filme da noite anterior, muito bom (The Matador, com Pierce Brosnam, não sei se é assim que se escreve o nome dele).


Não demorou muito o Prista se recolheu e bem mais tarde foi a vez do comandante. Por acaso estávamos próximos de cruzar com a rota que 10 anos antes ele e seus amigos fizeram com o Bilene de Lisboa para o Rio de Janeiro, então eu o alertei para que fotografasse o momento do cruzamento de rotas na tela do plotter. Essa é uma viagem de muita emoção, o velho lobo do mar fotografou aquela imagem tão significativa para si e foi dormir.


Eu havia ficado de fazer pão, então por volta de 05:30h me voltei para a cozinha. Como sempre, tive que começar arrumando e limpando tudo, pois não havia espaço para trabalhar. Coloquei os ingredientes no pote e quando fui aquecer a água me deparei com as duas garrafas de 2 litros que servem à cozinha vazias. Fiquei possesso, ninguém merece ter que ir lá fora de madrugada, buscar água com um vento forte e o barco balançando do jeito que estava, só porque um bebedor de água acabou com as garrafas e não as abasteceu. Na verdade é até proibido ir lá fora à noite se não houver outro tripulante do lado de dentro acompanhando os movimentos. Sozinho, se o sujeito cair ao mar nunca mais vai ser encontrado, pois até darem pela sua falta...
O certo seria eu acordar o Prista, mas fazer isso para buscar água ia ser péssimo. O melhor seria eu esperar o fim do turno e buscar a água quando ele estivesse na sala. Porém, resolvi pegar o holofote e dar uma olhada embaixo da mesa da popa, onde às vezes fica algum resto de garrafão de água. Para minha felicidade, localizei bem pertinho um garrafão pela metade. Com uma mão e um pé do lado de dentro, me estiquei e peguei o garrafão. Assim, enchi as garrafas, fiz o pão e o deixei descansando para crescer. O próximo já vai ser na chegada a Recife, pensei eu. O comandante já disse que vai convidar quem estiver nos esperando na marina para tomar café conosco. Vou ter que caprichar no próximo pão...


Chamei o Prista e nesse exato momento o radar acusou uma invasão de área bem na nossa popa. Um squall estava prestes a nos atropelar, o vento estava aumentando. O coitado do Prista não teve nem tempo de dizer "bom dia". Foi logo metendo o dedo no botão que desliga o alarme, mas dali a pouco o pi-pi-pi começou outra vez. Comentei com ele que a noite estava linda, que meu turno tinha sido ótimo e que não se preocupasse, isso ia passar logo. Mas tratei de ir para a cama, pois estava ficando difícil ficar em pé sem bater nos móveis.


Acordei por volta de 08:30h, dia amanhecendo. Como estamos no horário UTC, vamos ficando defasados do horário local conforme navegamos para oeste. Subi para a sala e Prista e o comandante estavam comentando que a virada do tempo fora imprevisível e muito forte. Eu lhes dei bom dia, falei que o dia estava lindo e mais uma vez fui chamado de sarcástico. O cheiro de pão fresco invadia o ambiente. Mestre Prista esperara as duas horas regulamentares de crescimento da massa e já tratara de o assar. O café da manhã ia ser ótimo com pão fresquinho.


Nesse momento, Marco surgiu de sua toca na zona oeste. Deu bom dia a todos, e foi direto pegar sua inseparável mamadeira de água. Como estava vazia, encheu com a água que eu de madrugada colocara nas garrafas. Eu estava com aquela história das garrafas vazias atravessada na garganta, mas não falei nada, "não vamos estragar o dia logo de saída", disse a mim mesmo. Para surpresa de todos, ele cuspiu fora e reclamou que era água salgada. Logo depois lembrou-se de que ele mesmo enchera um garrafão de água com água do mar e o deixara sob a mesa, sem avisar a ninguém. Fora essa a água que eu usara para encher as garrafas e que ele colocara na mamadeira. Mas pior: também fora essa a água que eu usara para fazer o pão!

Desolação geral. Não me segurei e descasquei os bebedores de água, que acabam com as garrafas e não as completam. Todos achavam que o pão ia ficar super-salgado, como o arroz que o Prista fizera alguns dias antes. Contudo, lembrei-me de que no pão vai muito pouca água e que, a pedido do Prista, vínhamos reduzindo o sal, então o máximo que deveria acontecer era o pão ficar um pouquinho salgado, e foi o que aconteceu. Pudemos, então, superar mais um incidente instrutivo e desfrutar de nosso breakfast em paz.


Ante-véspera de chegada e, como previsto, dia de inventário de mantimentos. Mar ruim, sol forte, algum calor. Não era o melhor ambiente para ficar mexendo em caixas debaixo de colchões, mas fomos lá. Eu e Mestre Prista começamos a virar os colchões, anotar o que encontramos e rearrumar tudo. Para nossa surpresa, embaixo da cama do Mestre encontramos um vazamento do cooler do motor, que por ali circula para aquecer a água do banho da zona oeste. Informado do problema, o comandante fotografou a bagunça e ali se enfiou, tratando de limpar tudo e apertando uma braçadeira que era fonte do vazamento. Os mantimentos não chegaram a ser contaminados, apenas alguns invólucros de latas foram manchados, então, com a ajuda do Marco, os retiramos e subsituímos por anotações feitas a caneta.


Continuando o inventário, e embaixo do sofá da cabine do comandante encontramos um tesouro enterrado: várias barras de chocolate e caixas de biscoitos amanteigados escoceses que o comandante havia "esquecido" por lá. Ele jura que havia esquecido, mas como sempre, quando o sujeito começa a se defender já está ferrado...


Depois do inventário de mantimentos, partimos para arrumação de ferramentas, parafusos, fusíveis, relés, etc. Essa é minha área, consigo encontrar tudo no escuro, mas não adianta estar arrumado do meu jeito se a partir de sábado não estarei mais a bordo. O mecânico de bordo, dali para a frente, vai ter que ser o comandante, que é quem também acompanhou a montagem do barco.


Hoje é aniversário do meu filho, 24 anos, que é tenente do Exército, servindo no Sul do Brasil. Amanhã é aniversário da minha filha, 25 anos, que é consultora de empresas no Rio de Janeiro. Sábado é meu próprio aniversário, tantos anos que já nem lembro quantos. Vou comemorar muito com minha mulher, com meus companheiros de viagem e com alguns amigos que deverão estar nos esperando em Recife. A ansiedade é enorme, as horas se arrastam...

São 14:00h UTC de quinta-feira, 05 de agosto de 2010. Estamos no paralelo 9º21'S e meridiano 030º54'W com COG de 289 graus e SOG de 6.5kt, com vento de 19,8kt a SE, usando a genoa. Hoje pela manhã completamos 24 dias de viagem, já navegamos 3219 milhas e faltam 245 milhas para Recife.

Recebam um grande abraço, daqui dessa nave que navega, navega e do fim dessa história lentamente se acerca.

Marcus Balbi – FatBoy.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Recordações do Rui

Pois é, com referência ao estado de espírito de cada um a bordo, aos momentos bons e não tanto, as curtições, a realidade é que estas reaçães sao humanas e expressam o estado de espírito momentâneo de cada um, conforme o que esta acontecendo naquele momento. Não é fácil conviver por tanto tempo, num espaço tão pequeno, com as mesmas pessoas. E esse, é o maior aprendizado.

Minha tarefa, além de curtir este momento com o meu filho e sua jovem maneira de ser e sua tremenda paz de espírito que sempre lhe foi peculiar, é também, manter a bordo um espírito animado, e levar estes homens, com segurança, ao porto do outro lado do Atlãntico.

Muito bem dizem vários seguidores do blog, que nós devemos curtir cada momento, que a experiência é única. Pois eu não tenho dúvida disso, o melhor momento em termos de lembranças na minha vida, até entrar no FatBoy, em Cape Town, havia sido a travessia que fiz em 2001 no Bilene. E porque não comparar, haja visto que esse experiência é que me permitiu agora comandar este barco e esta travessia, e levar esta tripulação da qual faz parte o meu filho, de forma segura, a singrar o Atlântico Sul, partindo do ponto mais temido, Cape Town? Fundamental esta comparação e saudavel para todos. Mas é normal, a segunda mulher sempre acaba com um cuimezinho da primeira, não é?


Talvez muitos que acompanham o blog nao saibam, mas o nome FatBoy Rui, é uma homenagem ao meu AMIGO Rui Jordão, que faleceu há 3 anos, com 50 anos incompletos, de ataque fulminante de coração, em S. Paulo, Brasil, onde vivia.


O Rui era uma pessoa especial, quem o conheceu sabe disso, e eu sinto muito a sua falta. Eu tinha o privilégio de ser o maior amigo dele! Tê-lo como melhor amigo, fácil, pois como disse , se tratava de alguém fora do normal, mas ser o maior amigo dele, sempre me orgulhou muito.
Nascido em L. Marques, Moçambique, foi meu companheiro de vela, desde os 8 anos de idade, no Clube Marítimo. Corremos juntos de Dabchik , um barco/prancha sul africano que tínhamos em Moçambique, antes dos Optimists da época do Carlos Prista. Nessa época nós corríamos contra o João Rodrigues, irmão da Ligia que nos acompanha no blog.

Depois fomos juntos para os Vauriens e fomos campeões de Moçambique em 1973, vice campeões portugueses e ficamos em 17 lugar no Mundial que que aconteceu no mesmo ano, em Lourenço Marques, a primeira vez em que se disputou qualquer tipo de campeonato mundial em Moçambique. Tínhamos 15, 16 anos e corríamos amadoramante contra os seniores do mundo todo, dominada a classe pelos franceses, perfeitos profisisonais.


Com a independência de Moçambique e a lambança dos Portugueses na época, nossas famílias se mudaram para o Brasil , onde meu pai e o tio dele, Antônio Inácio, companheiros dos Finns no Marítimo, formaram uma empresa, a Radiomar.


Eu e o Rui continuamos pela vida sempre muito próximos e juntos fizemos, com mais 3 velejadores do Marítimo, o meu Pai, meu irmão Luis (este já nos Optimists no Marítimo) e o Luis Rato, a travessia em 2001, no Catamaran Lagoon 38 pes, o Bilene, de Lisboa para o Rio de Janeiro (Meu irmão e cunhada haviam pego o barco na França e velejado para Lisboa, de onde saímos todos, ele como Comandante). E esse foi o melhor momento de minha vida. Mas para ilustrar que apertos acontecem e para demonstrar que boas conquistas sao compostas também por momentos não somente agradáveis, resolvi anexar aqui um dos diários de bordo do Bilene, escrito pelo meu AMIGO Rui. Como podem ver, muita similaridade. Só que aquela perna era de 2800 milhas, sem banho de água doce, sem este conforto todo e foram 22 dias de Cabo Verde ao Rio!


Fiquem com o Rui. Fiquem bem.


Saudações


Nuno do FatBoy.


Bilene, 03 de Abril de 2001 – 11:30 PM
Lat: 00:23 N
Long: 026:36 W
Rumo: 180 Graus – Velocidade média –3,5 a 4 Knots, à alheta, com ventos de NNE de 8 Knots. (neste momento, pois tivemos de tudo hoje)Mar bom
A 1830 Milhas do Rio de Janeiro
Nas últimas 24 horas, fizemos 80 mn


Bem amigos, vou dar uma ajuda ao Nuno e escrever umas letrinhas.(Rui).


Este diário tem tido um efeito incrível num grupo grande e heterogêneo de pessoas. Uma boa parte deste grupo reúne características de história de vida com alguns eventos comuns que no passado nos forçou a uma separação e mudança de vida radicais. A estes que além da história em si aliam uma grande saudade de outros tempos e a todos os demais queremos agradecer a atenção que nos tem sido dispensada com a certeza de que não esquecemos de ninguém e freqüentemente nos deparamos relembrando e comentando os momentos de toda a natureza que a vida nos permitiu um dia viver em conjunto.


Ora, se é para lembrar de momentos, lembrei de um agora que gostaria de descrever. Verifiquem que não classifiquei o momento, não disse se ele é bom mau ou se tem alguma outra conotação, vou começar com algumas frases de pessoas diferentes que tentarão classificá-lo.


Diz um : Isto é o paraíso, momentos como este são no máximo 1% nas nossas vidas, a temperatura agradável uma brisa suave, um pôr do Sol como nenhum outro jamais haverá, a música como embalo fundamental de um início de noite que se mistura com um leve murmurar das ondas. A música especialmente escolhida para hoje, como já o foi em outras noites é a Enia, tem hora e momento certos para se ouvir uma música destas, experimentem.


Diz outro : Este momento é agradável mas, caímos num buraco sem vento, estamos parados boiando, como vamos sair daqui ?, o GPS aponta para 18 de Maio a nossa chegada, temos que chegar antes do dia 16 de Abril, droga, o vento não chega, quando vem é de proa, de dia faz um calor de rachar sem vento, a água do mar também está quente, aquela nuvem safada no horizonte vai nos pegar à noite, será que mantemos a vela grande toda em cima ?, rizamos ?, e o Genaker ? enrolamos à noite ?


Pois é pessoal estamos passando pelo Equador nas famosas calmarias de Cabral, os ventos do Norte e do Sul encontram-se aqui e fazem esta confusão, vem vento fraco de tudo que é lado, mal conseguimos andar à vela, quando vem, vem pra valer curto e grosso, sempre acompanhado de uma nuvem característica e à noite torna-se um perigo conforme as velas que estamos utilizando. Queremos pôr todas para sair daqui rápido porém podemos rasgá-las ou danificar alguma coisa se o fizermos, logo cabe cautela.


Aliás o nosso comandante, Luis Manuel tem nos acalmado, ele disse que ninguém ficou por aqui, todos passaram, e parece ser verdade, olhamos à volta e fora piratas e navios muito esporádicos não vemos ninguém eh eh ...


Como uma mesma situação reserva tantos pontos de vista, é interessante, a musica da Enia nos faz pensar muito, a vida no fundo é bela demais nos dando tantos e variados momentos que tem suas particularidades quando vivida da forma que escolhemos. Vamos contando mais coisas pelo caminho, apesar de muito bonito e agradável o que podemos vivenciar aqui por outro lado precisamos nos livrar rápido destas águas.


Um abraço a todos,


Rui e a Tripulação do Bilene.




Diário de Bordo – Dia 22

Olá, pessoal!


Finalmente o dia perfeito! O vento deu uma acalmada e o mar o seguiu. Que maravilha! Claro que todo mundo sonha com um mar plácido, espelhado, mas somos um barco a vela, precisamos de algum vento (não demais!) e isso implica num pouco de ondas também. Com um vento que não ultrapasse os 20 nós, o barco fica com um balanço preguiçoso, faz surf nas ondas de 3-4m, o que com um sol forte é uma verdadeira festa. Foi um autêntico dia de verão a bordo.

Logo cedo, com a ajuda do Marco, consegui fazer a manobra de combustível que vinha adiando havia dias. Completei o tanque de boreste com 105 litros de diesel e calculamos um consumo de 2,5l/hora. O comandante não gostou nem um pouquinho... Os 45 litros que sobraram foram para o tanque de bombordo, que ficou marcando mais de 3/4. Teríamos diesel para ir e voltar a Recife a motor, se necessário...

O foco no dia de ontem foi o inversor/carregador, outra vez. Como estamos usando muito as velas e pouco os motores, as baterias se esvaem rapidamente, mesmo com o esforço dos painéis solares, que são ótimos. Algo está limitando a carga que vai do gerador para as baterias, possivelmente algo programado no carregador (que está no meio do caminho) para disponibilizar recursos para o resto do barco, sejam usados ou não. Isso torna o tempo necessário para carregar as baterias um absurdo. Estudar esse problema vai ser nossa distração nos próximos dias.

Com pouca bateria, o comandante teve que ligar o gerador, então aproveitou para fazer água. Com água de sobra, liberou o banho...banho dois dias seguidos! Festa a bordo, iuhuuu!
Então o dia foi o mais tranqüilo da travessia e o vento decrescente promete um fim de viagem inesquecível (talvez a motor). O comandante e o Prista vinham estudando o "grib" e dizendo que aquele inferno de mar e vento ia continuar até Recife. Sorte que esse tal de "grib", que não passa de um grande fdp, errou feio. Cadê o urubu, agora?

Almoçamos um macarrão com salmão e molho de tomate daqueles que não tem como não repetir e nos preparamos para uma noite bem tranqüila.

O comandante me acordou por volta de 00:45h. Estranhei, pois meu turno era o de 00:00h às 03:00h. Fui logo olhar o meridiano para ver se não era o velho golpe da esticada de turno para fazer ponto na competição. O comandante tinha marcado um meridiano, mas havia sido muito antes do meu turno. Ele então explicou que se confundira, achando que o Marco o substituiria e, como o Marco havia esticado o turno do dia anterior uma hora para deixá-lo dormir um pouco mais, queria retribuir a gentileza. Só que o turno seguinte era meu, então quem acabou acordando mais tarde fui eu. Fiquei com pena, não falei nada, mas decidi cumprir minhas três horas integrais, até 04:00h, e pedi ao Prista que fizesse o mesmo, reduzindo o turno do Marco, o último, em uma hora, como queria o comandante.

Voltando ao meu turno, quando o comandante me passou haviam dois navios na tela do AIS. Um se afatsando por boreste e outro se aproximando pela proa. O comandante disse que já havia feito contato, informado que somos um barco a vela e solicitado prioridade. O sujeito do navio retornou o contato, entendeu o que o comandante queria, mas não desviou a rota. Informou ainda que não estávamos aparecendo na tela do AIS do navio. Por precaução, o comandante desviou um pouco a nossa rota, mas fez novo contato para se certificar de que estávamos na tela do navio. O sujeito então confirmou que estávamos aparecendo na sua tela do AIS. E não mudou a rota, passou a menos de uma milha por bombordo, o que é um absurdo. Nem tudo no mar é elegância, disciplina, etc.

O comandante foi dormir, mas antes se queixou de que sua lanterninha (que o acompanha desde a travessia anterior) havia caído ao chão e pifado. Rapidamente peguei o multímetro e vi que a lâmpada havia queimado. Não temos outra a bordo, mas fiquei de dar um jeito, pois cada banheiro da Zona Sul tem um iluminador a bateria que usa dois leds e não é difícil tirar um e usar para outra finalidade. Afinal, o chefe merece manter suas memórias vivas...

Foi minha noite mais tranqüila a bordo. Pela primeira vez liguei o computador para ver um filme, entre uma girada e outra de radar, o que já vira todo mundo fazer, mas nunca me sentira tranqüilo o suficiente para imitar. Entretanto, devido às restrições de energia em vigor a bordo, os outlets estavam desligados e a bateria do notebook não segurou o filme até o fim. "Não faz mal", pensei eu. O mar estava cada vez mais tranqüilo, a lua decrescente já dera as caras e na noite de amanhã poderei terminar o filme, com certeza.

Passei o serviço para o Prista, que entendeu e concordou em passar adiante a hora-bônus do comandante para o Marco. Pouco vento, poucas ondas, silêncio, "dessa vez ninguém vai se queixar do urubu", pensei eu enquanto voltava ao conforto da minha cama.

Levantei tarde, mais de 07:00h, já amanhecendo. Tempo quente, balanço suave, céu azul, barco de arrastando a pouco mais de 4 nós...é hoje! Logo subi e encontrei o Marco e o Prista, que já estava tratando de fazer uma omelete de atum. Seguindo meu planejamento dos últimos dias de viagem, fiz um levantamento das despesas com mantimentos, quase todas compradas pelo Prista em Cape Town, fiz a divisão, calculei as diferenças e informei aos interessados, já tratando de acertar minhas contas com quem de direito.

Como estou voltando ao meu ritmo pré-viagem, troquei a omelete por uma caneca de café com leite e combinei com o Marco que hoje vamos dar um mergulho no mar. Eu até aceito que tenha estado em Cape Town durante a Copa sem ter ido a nenhum jogo, afinal estava lá cheio de serviço. Mas não vou atravessar o Atlântico sem dar um mergulho!

Nessa hora o comandante vinha levantando e veio logo falando em colocar o parasailor para fazer o barco andar. Também ligou o gerador para carregar as baterias. Combinamos que, ao invés de mergulhar no início do dia, ficando com o corpo salgado o dia todo, deixaríamos para fazer isso no fim do dia, ao baixar o parasailor. Basta não colocar imediatamente a genoa, para podermos dar o rápido mergulho, seguido de um refrescante banho de água doce. Atualmente a temperatura ambiente é 28 graus e a temperatura do mar é de 27 graus. Comparada aos 15 graus de Cape Town, é brincadeira entrar nesse mar.

Colocamos o parasailor, mas o vento estava tão fraco que o comandante resolveu ligar um motor e assim, ao mesmo tempo em que empurra o barco, carrega as baterias com o alternador, dispensando o gerador. Depois disso, me distraí um tempão adaptando o led na lanterninha quebrada do comandante, que afinal funcionou. Mais fraca do que a original, mas funcionou.


Foi quando Mestre Prista deu o famoso grito: "Paaaaixe!". Corri a bombordo (outra vez bombordo!) e lá estava um dourado de cerca de 60-70 centímetros firmemente fisgado. Tratei logo de trazê-lo a bordo, até pensando em devolvê-lo ao mar para evitar sujeira, mas a turma aqui não perdoa: vai ser nosso almoço! O comandante logo veio armado do porrete e todo mundo saiu de perto, pois sobrou paulada para todo o lado, menos no peixe. Afinal, o bicho cansou de tanto rir e conseguimos matá-lo e limpá-lo devidamente.


O comandante se animou e foi olhar a outra linha. Para nossa surpresa, a lulinha de silicone estava toda machucada e o anzolão quase aberto. Deve ter sido outro monstro que ficou um tempo pendurado a reboque na popa, mas conseguiu fugir. Realmente, a falta da vara (cana) de pesca e da carretilha com embragem está nos custando os maiores peixes. O comandante rapidamente preparou outra isca e prometeu que para a próxima perna da viagem estará melhor aparelhado. É bom ver nosso "velho" comandante animado com algo que não tenha teclados, botões e displays...


Esse peixe era o que faltava para completar um dia perfeito...acho que hoje vou até ter que usar protetor solar e tomar seguidos banhos de água salgada usando a mangueira do washdown. E depois o mergulho! Demorou, mas veio a recompensa! Por isso eu sempre digo que Deus ilumina quem trabalha com vigor...só a Coca-cola é que não vai ter jeito.


Estamos nos aproximando de Recife, aonde deveremos chegar no sábado, dia 7, ao raiar da manhã. Estamos dispostos a dar uma "segurada" na navegada se necessário, pois não queremos entrar num porto estranho na noite de sexta-feira para sábado, noite de lua nova, escuridão completa.


São 14:00h UTC de quarta-feira, 04 de agosto de 2010. Estamos no paralelo 10º13'S e meridiano 028º25'W com COG de 279 graus e SOG de 7.3kt, com vento de 14kt à popa, usando o parasailor e o motor de bombordo. Hoje pela manhã completamos 23 dias de viagem, já navegamos 3064 milhas e faltam 400 milhas para Recife.


Recebam um grande abraço, daqui dessa nave que há muito navega, navega, mas bons momentos ainda nos reserva.

Marcus Balbi – FatBoy.

To All Our English Speaking Friends

First of all, we would like to thank you for your effort in putting up with a website that is completely in Portuguese, and especially for those who attempt to understand it by means of electronic translation and/or sheer force of will (some good examples are our friends Brent the whale-slayer and his wife Ana, as well as some friends from Washington D.C).


It is way past due that we cut you a slack and write a post in English. FatBoy has been on the "road" for over 20 days now and sailed more than 3000 miles. During this time, many interesting and hilarious episodes have come upon the boat and its crew.
We decided to create a blog to keep track of our progress (you can check where we are by clicking the "Onde Estamos" link) and to communicate with family and friends while on the boat via INMARSAT, a satellite system for data exchange. We can't really see the blog, but we get e-mail notifications with your comments, so don't hesitate to tell us what's on your minds. Karen, Nuno's daughter, hosts the blog and maintains it to the best of her abilities. Our crew consists of three "young" men, and an even younger one.


Nuno Pinho: Also referred to as "Comandante" (no need to translate that). Born in Mozambique and now living in the US, Nuno is the only veteran on the boat to have completed another voyage roughly as long as this one in 2001, with the catamaran Bilene. He loves to remind the rest of the crew of that fact, considered by Balbi to be an act as inconvenient as a husband reminding his new wife of how his ex used to be. Nuno decided to embark on this trip to relive the adventure, this time with his son. He is a gadget lover, but always seems to have more headaches than pleasure with the thousands of different electronic devices he installed on FatBoy.


Marcus Balbi: Mostly known simply as "Balbi" or "McGiver" due to his multiple and diverse skills, he is the official writer of the boat. Balbi tirelessly writes the diary that keeps this blog alive (whenever you see "Diário de Bordo," that's his work), describing his not-always-successful experiences with the boat, fishing, seasickness, the electronics, and bread-making. After he got a bread recipe from Nuno's brother Luis and his wife Marli (from the sailboat GreenNomad) and made an infamous bread using pretty much only water, flour and olive oil, he gained the title of FatBoy's official baker. Balbi keeps fishing lines behind the boat with the set objective of fishing a 20-kilo tuna (roughly 44 pounds). He has not achieved that yet, but has fished a small tuna (accused of being a "tuna infanticide"), a Dorado and a Wahoo, besides all the small fish in St Helena.
Mind you, we have no fishing rod. He is originally from the south of Brazil and used to be in the Brazilian army, so we have no lack of interesting stories (as well as good jokes) on rainy afternoons in the Atlantic.


Carlos Prista: Born and living in Mozambique, Prista has been racing small boats his entire life, being very knowledgeable about winds and sails. In FatBoy, however, he is the official chef (we eat a lot, as our name suggests). He always claimed that his cooking wasn't that good until he started cooking for the crew and we all loved his food. We're not sure whether it's a talent he's been hiding, or if it's just our palate that's really unrefined. Prista has a strange relationship with a whale that has been following us since Cape Town and sometimes shows up in his cabin window. He is terrified of them (especially after hearing about the whale that jumped on and destroyed a boat in Cape Town), but they just can't seem to leave him alone. He'll have a lot of explaining to do to his wife when he gets back.


Marco Pinho: Yours truly, born in Brazil and living in the US. Being the youngest of all members by a margin of more than 20 years, I can safely say I'm the one learning the most with this experience - Nuno knows sailing and electronics, Balbi knows knots and engines, Prista knows gastronomy and winds, and now I know a little bit of everything. I also seem to be enjoying the trip far more than everyone else as the occasional rough sea, strong winds and canned food don't bother me as much. I figure that will change once I hit 40, so I might as well enjoy while I can.


We hope that was enough to get you a little more acquainted with the blog, and look forward to reading your comments.


Kind regards on behalf of all the FatBoy crew,
Marco Pinho

Poeira - parte II

FatBoy


Pois é, chegamos ao prazo final para a decisão sobre o que é a poeira branca , muito fina, que aparece a bordo.

Havíamos dito que era para o final de semana, mas atrasamos. E daí, somos o Governo, não há problema!

A comissão analisou as diversas teorias e achamos de fato interessantes alguns pareceres de nossos Exmos. membros da Comissão Especial da Poeira.


- É a farinha assombrada que está sobrando a bordo que e sonambula - by Helena Oliveira
- O barco está se desfazendo - Anônimo
- É a poeira de fibra que ficou da construção - by Luis Oliveira
- Descamação da nossa pele - by Luis M. Pinho
- É a caspa da Bussola - by Marco Pinho
- Darwin tinha o mesmo problema e nunca conseguiu saber do que se tratava, embora tenha feito altos estudos e acabou morrendo por causa da poeira, era tanta que morreu sufocado nela. O resto da tripulação, morreu de bronquite!


Bom, o Governo, atendendo a pedido dos membros da Comissão, considera que este assunto é mais complexo e para tal precisará de sessões extras de deliberação e para tal está aumentando em 150% o valor das ajudas de custo não só para os nobres membros da Comissão, como também para o restante da putada, que merece ganhar mais!


Portanto está dado um prazo de 15 anos para nova deliberação sobre o assunto e até lá, a ajuda extra monetária permanecerá, com o reajuste anual pelo mais alto índice de correção monetária existente a cada período.


Fica também garantido a todos os membros do Governo, Comissão e suas famílias um auxílio saúde igual ao somatório de todos os ganhos dos Membros, pela natureza insalubre do assunto, afinal poeira faz mal.


Temos dito


Governo Central do FatBoy


"Decisão tomada, decisão cumprida"